Pena de Mim
(Para Zélia Santos)
© DE João Batista do Lago
Sinto pena de mim!
Ó, como a sinto!
Pena… por não ser poeta, pois se o fosse
Diria a todo o mundo em versos:
- Necessito-te para viver.
Pena… não sou poeta
Por isso canto calado este meu sofrer
Sofro, indignado, não poder dizer:
- Amo-te, ó mulher,
alma do meu corpo…
espírito da minh’alma.
Amo-te assim:
Como a nobreza das plantas que por paixão se prendem às terras;
Como as nascentes d’águas que banham teu corpo e regam tua boca sedenta de beijos;
Como o vento que te abraça no mais puro e terno encanto no instante do teu calor solitário;
Como a relva que recebe, como sacrário, o teu corpo virgem;
Como o dia que embala tua beleza ambulante;
Como a noite que esconde teu perfume de mulher amante;
Como a hóstia sagrada, que me comunga no coito infinito quando surge do mais profundo gozo do teu universo;
Ah! Se eu fosse um poeta!
Faria destes meus pensamentos uma poesia eterna
Para gravá-la na tua alma de mulher-flor
Onde, feito borboleta,
Dançaria o mais pleno e puro balé sob os acordes dum amor fugaz;
Feito abelha me ungiria do teu pólen para ser-te mel;
Feito beija-flor sugaria da tua boca todos os beijos que nunca foram meus…
Sinto pena de mim!
Ó, como a sinto!
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